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Rastros

[Foto: André L. Soares].

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RASTROS
(Rita Costa)
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Percorro as palavras
de um emaranhado mistério
e elas invadem minha alma,
deixando rastros
em meus pensamentos.
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E eu,… atrevida,
não delimitando o perigo,
as sigo… e sinto!
Sou tomada pela noite
que me acolhe
e me faz engolir suspiros…
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Mágicas Fantasias

[Peony - Eat01234]

MÁGICAS FANTASIAS
(André L. Soares)
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Eu a chamo de anjo, fada…
mas você se diz bruxa
‘- Bruxa do bem’, você ressalta…
e entre as alcunhas
penso milhões de fantasias.
Primeiro, a quero gueixa…
humilde, servil e obediente,
mulher do Oriente que me olha
submissa e assustada,
apressada a cumprir
os mais absurdos mandamentos,
atendendo prontamente
aos meus mais safados desejos.
Ah… e como também são
descarados seus anseios.
Você logo se impõe
e se me oferece a menina
irônica, sorridente e pequenina,
saia de pregas, jeito de colegial.
Eu, cheio de moral, como pai erudito,
sem dó, marco com palmadas sua bunda,
depois do amor bem feito,
sem marcar o tempo,
feliz por possuir a depravada
adolescente prostituta…
deixo a sempre injusta nota de real
sob o cinzeiro do criado mudo.
Mas não fujo, visto o sobretudo
para ser seu super-homem.
De novo loucuras criativas nos consomem
e sem sair do quarto
voamos pelo mundo
como fariam Clark Kent e Louis Lane.
De volta em meio aos lençóis
você me xinga, você me atiça.
Dedo em riste, eu a chamo puta,
você finge que se assusta.
De joelhos, eu a clamo santa,
você se faz de rogada.
Então a visto da mais ampla nudez
e a exponho assim sobre o andor,
para que vejam a mulher
com a qual eu faço amor.
Depois, em punição, a prendo algemada,
só de calcinha na redoma,
corro à perfumaria
e encho nossas fantasias de aroma.
Agora relaxados, no ar Issey Miyake,…
a cabeça cheia de marijuana,
você se engana e pensa que por hoje
dei stop a nosso filme.
Mas logo a seguro firme pelos braços,
docemente a enlaço pelo meio,
beijo sua boca ao estilo Casablanca.
Parece até adeus no pequeno aeroporto,
mas não nos despedimos, ainda não!
Apenas nos deitamos coladinhos
de conchinha no cantinho do colchão,
para renascermos no outro dia.
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Pela manhã, perfumado e excitado,
barba feita, banho tomado, já de pé,
trago um sorriso e uma rosa,
a bandeja com o jornal e seu café.
Agora sou romântico e atencioso cavalheiro
ou qualquer outro personagem que você quiser,
amando-a loucamente e por inteiro,
ávido por conhecê-las, uma a uma,…
todas as suas mil facetas de mulher.
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Inópia

[So Lonely Doll – Delun]

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INÓPIA
(André L. Soares)
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Nesse tempo,
em que a barbárie é bomba,
qualquer sobra de virtude
é sombra…
da gigantesca indiferença
a espalhar-se sob o sol.
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Nesses dias,
em que ninguém se encontra,
toda amostra de amor
assombra
a nós,…
cada vez mais acostumados
a passar a vida sós.
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Humano

[Renata Domagalska]


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HUMANO
(André L. Soares)
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Queria te falar sobre estrelas,
porém, desconheço as alturas.
Pensei em te ofertar minha pureza,
mas quem sou eu…
se cresci livre pelas ruas.
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Pudera eu te contar boas histórias,
descrever uma vida sem agruras.
Sonhei em te cobrir de jóias,
mas, sou plebeu…
nunca tive ou quis alguma.
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Bom se eu coubesse em teus sonhos
na exatidão da ordenada com abscissa.
Tentei ser só alma e coração,
juro, não deu…
sou de aço, pedra, fúrias.
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Quisera eu não fosse assim, só erros
e a verdade brotasse em meus lábios.
Talvez, eu possa te salvar do tédio,
mas, se nem isso…
faz um esforço e me perdoa.
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É que sou tão muito humano
– bem-dotado… de defeitos –
minha perfeição é sempre
ser complexo imperfeito.
E apesar desse jeito insensato,
só uma coisa não aceito…
– ah isso não! –
é que duvides que te amo.
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Mais-Que-Perfeito

[Fractal – MecM]

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MAIS-QUE-PERFEITO
(Rita Costa)
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Haverá algum verso
capaz de descrever
o breve instante
em que, num só fôlego,
atravessa-se o silêncio
e o perfume existentes no ar?

Como traduzir,
naquele milésimo de segundo
e a mesma beleza que há
no brilho dos olhares
– rodamoinhos de mistérios
castanhos –,
quando, revelando os sentidos,
buscam saciar a sede
do corpo inteiro?

Talvez seja impossível
descrever o encanto
de infinitos versos,…
tal a poesia nascida
do assovio dos rios,…
quando deslizam sobre as pedras,
inundando os veios das florestas,
preenchendo o abismo,
legitimando a vida.

(…)

Descrever aquele instante,
a harmonia existente
entre a graça e a volúpia,
haveria de ser música.
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