O Poema Nosso de Cada Dia

Leveza

Monet's Flower Garden - Zhen-Huan Lu

[Monet's Flower Garden - Zhen-Huan Lu]

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LEVEZA
(Rita Costa)
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Hoje, vejo-me caminhando
de mãos dadas com a vida.
E, em um pequeno trajeto,
se me lembro das escolhas,
percebo-me desvendando
das folhas, as cores e enigmas.
Deixo rastros de flores no ar.
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Ah! Mas quanta ousadia
andar assim,…
pisando em poesias.
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4 Maio, 2008 Escrito por Rita Costa & André L. Soares | poema | , , , , | 3 Comentários

À Espera

Flowered Doorway - Cyrus Afsary

[Flowered Doorway - Cyrus Afsary]

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À ESPERA

(André L. Soares)

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Fim da tarde. O tempo parece mais preguiçoso que de costume. Através do vidro sinto a cidade, sem prestar atenção a detalhes. Impedido estou de perceber as minúcias da beleza à minha frente, pois, se os olhos aqui se encontram, o pensamento há muito bateu em retirada, vagueando longe, atrás do que me falta. De repente, um ranger de ferros de portão; um farfalhar manso junto às árvores; um leve ruído de chave fina que invade e gira a fechadura. Com a porta que se abre o vento traz primeiro, a energia positiva que me anima; depois, o perfume sinônimo de minha ‘anti-solidão’. Ouço o som de pés delicados, quase a flutuarem sobre o tapete da sala. Em mim é festa, como se a Felicidade bailasse ao som da música perfeita. Viro-me em tempo de perceber teu sorriso irradiar o quarto, antes mesmo que tua silhueta se complete sob o umbral. Pronto. Por tua chegada, e após o beijo que trocamos, identifico agora todos os tons, antes inatingíveis, da paisagem que se faz pintura na moldura da janela.

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19 Abril, 2008 Escrito por Rita Costa & André L. Soares | poema | , , , , , | 4 Comentários

Das Marés

Tropical Beach Sunset - James Randklev

[Tropical Beach Sunset - James Randklev]

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DAS MARÉS
(Rita Costa & André L. Soares)
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Teu jeito criança
veio com o mar.
A tua esperança
nasce do mar
A cor dessas tranças
brilha no mar;…
o futuro nas conchas,
vi na pérola negra
em meio ao coqueiral.
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O fim desse mundo
é o limite do mar.
Os desejos profundos
vêm do fundo do mar.
Nosso sonho mais lindo
sonho à beira-mar;…
no ouro da praia,
na cama de areia
coroar-te mulher.
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À tardinha o céu desce
até beijar o mar.
O profeta já disse
que o sertão vira mar.
Então faço uma prece
louvando esse mar;…
ao lançar minha rede
sempre peço pra lua
um novo amanhecer.
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27 Março, 2008 Escrito por Rita Costa & André L. Soares | poema | , , , , , , , | 1 Comentário

Contra o Plágio na Blogosfera

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CONTRA O PLÁGIO NA BLOGOSFERA
(André L. Soares – 28.02.2008 – Guarapari/ES)
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O plágio, em todas as suas vertentes mais sutis, deve ser combatido. Caso contrário, comprometerá seriamente não apenas o futuro da blogosfera brasileira, mas da própria arte literária do país, tanto em âmbito amador, quanto em nível profissional.
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Na web é muito comum que se encontrem textos sem referência à autoria. Algumas pessoas, talvez em um ato de preguiçosa boa-fé, ainda colocam um ‘AD’ ou ‘Autor Desconhecido’, logo abaixo do título. Porém, isso não deve ser aceito. Se um texto existe é porque alguém o escreveu. Por isso mesmo, se o ‘blogueiro’ não sabe o nome do autor, então melhor que não faça uso do texto.
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De acordo com a Lei 9.610/98, postar um texto sem explicitar o autor é uma agressão aos direitos autorais, pois ajuda a desvincular o nome do criador ao da criatura. Assim, quem posta um texto em qualquer ambiente ‘on-line’ deve fazê-lo com responsabilidade, lembrando-se que estará, acima de tudo, fazendo um ‘eco’ parcial da cultura literária.
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Veja-se que não estou me referindo, aqui, às atitudes de má-fé, mas tão-somente aos erros que, mesmo não sendo intencionais, podem comprometer a literatura.
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Em 2006, ao conferir meus e-mails, encontrei uma mensagem de uma mulher chamada Thereza Pfiffer. Como não sou muito de assistir televisão aberta, não sabia de quem ela era. Tratava-se de uma atriz da Rede Globo, que também é conhecida diretora de teatro em São Paulo, que está à frente do grupo ‘Sensus’.
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Ela havia lido, ao acaso, alguns textos meus e queria saber se eu autorizaria o uso de dois poemas (um meu e outro que fiz em parceria) em sua peça ‘Ritual dos Sete’. Embora fosse um evento com fins lucrativos, concordei de modo imediato, pois me era favorável qualquer mínima inserção no cenário cultural paulista.
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Como recomenda a norma jurídica, atestei legalmente minha concordância, enviando, à citada diretora, documento especificando os textos, a autoria, a co-autoria, bem como os limites de uso, para que ela pudesse juntar aos demais registros do evento.
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‘Ritual dos Sete’ ficou em cartaz por um mês na Casa das Rosas e alcançou considerável sucesso, fato que se repetiu no ano seguinte. Por ‘tabela’, em todas as críticas e publicações a respeito do evento lá estavam meu nome e da co-autora do segundo poema, figurando ao lado de nomes como Clarice Lispector e Augusto dos Anjos, entre outros, o que não deixa de ser um estímulo a mais para quem escreve em nível amador.
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Isso somente foi possível porque, em suas pesquisas, ao encontrar nossos poemas, Thereza Pfiffer teve acesso ao real nome dos autores. A partir daí bastou que fizesse uma pesquisa simples, via mecanismo de busca do Google, para chegar ao meu blog, encontrar meu e-mail e entrar em contato para, seguindo a lei, solicitar a autorização.
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Logo, não é difícil entender a importância de se colocar a real informação referente à autoria de um texto que se deseje citar ou postar. Além de ser uma postura que vai ao encontro do que manda a legislação pertinente aos direitos autorais, trata-se, acima de tudo, de uma questão de ética e de responsabilidade para com a literatura.
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Também escrevi contra o plágio em:
Pó(ética) HeréticaSons de Sonetos Raiz de CemGritos Verticais Natureza Poética.
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28 Fevereiro, 2008 Escrito por Rita Costa & André L. Soares | poema | , , , | 2 Comentários

Estro

Young Girl Reading - Jean-Honoré Fragonard

[Young Girl Reading - Jean-Honoré Fragonard]

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ESTRO
(Rita Costa & André L. Soares)
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Adoro a forma como absorve
o que de minha alma
a palavra se alimenta;…
parece que invade
minhas entranhas,
onde apanha letras e fonemas.
Sinto que preencho espaços
resguardados de outras eras,
quando vejo que em seus versos
há muito de minha essência.
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Não sei o que você pensa…
– penso que nem me entendeu –,
mas sua poesia surge no papel,
e, quem diria,… lá estou eu!
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8 Fevereiro, 2008 Escrito por Rita Costa & André L. Soares | poema | , , , , | 3 Comentários

Fumê

Morning on Boulevard Saint Michel - Michael Leu

[Morning on Boulevard Saint Michel - Michael Leu]

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FUMÊ
(Rita Costa & André L. Soares)

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[Ele] – Há um ano, uma vez por semana – toda quarta-feira –, entro no mesmo mercado. Compro sempre as mesmas coisas. Aproveito para observar a moça do caixa enquanto passa minhas compras. Sei que se chama Maria Pinheiro. Li no crachá. Nunca trago caneta. Peço que me empreste a dela. É quando, às vezes, nossas mãos se roçam, deixando-me trêmulo e feliz. Quando os olhares se cruzam, agradeço em voz baixa. Nem sei se me escuta. Excessivamente tímido, não tenho coragem de convidá-la para sair. Pego as compras – que o rapaz empacotou – e saio sem olhar para trás.

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[Ela] – Há um ano, basta vê-lo na fila e tenho o coração na boca. Vem uma vez por semana – toda quarta-feira. Conheço cada produto que leva. A pela primeira vez que o vi, acabara de ser promovida à caixa. Estava nervosa. Muito paciente, foi gentil comigo. Compreendeu a lentidão face minha pouca experiência. Outros clientes reclamavam. Ele não. Sempre que me pede emprestada a caneta suo frio. Sei que se chama José Carvalho. Vejo no cheque. Sei telefone e endereço. Sempre escreve no verso. Por vezes pensei em ligar. Mas sou tímida. Desisto. Não creio que tenha percebido minha felicidade ao vê-lo. Ele nem imagina o efeito que causa, nas vezes que nossos olhos se cruzam. Até esqueço o trabalho, vendo-o sair sem olhar para trás.

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23 Janeiro, 2008 Escrito por Rita Costa & André L. Soares | poema | , , , , | 4 Comentários

Fugindo Numa Tela de Van Gogh

The Red Vineyard at Arles - Vincent Van Gogh

[The Red Vineyard at Arles - Vincent Van Gogh]

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FUGINDO NUMA TELA DE VAN GOGH
(André L. Soares)
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Cansado das vãs teorias,
busco a letargia
dos alienados felizes.
Não quero saber da política,
viro às costas ao feio
e à hipocrisia.
Entrego-me à incoerência;…
só vou ouvir os pássaros
e apreciar as orquídeas!
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Chega de tantas mentiras,
da esperança perdida,
da pesada leitura.
Fico à margem dos dias,
da falsa engrenagem,
das tristes notícias.
Cedo-me à ignorância;…
só vou ouvir os pássaros
e apreciar as orquídeas!
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Farto das ideologias,
dos beijos de Judas,
das falas prolixas,…
renego as tramas noturnas,
as turvas matizes
e as falácias da vida.
Rendo-me à intolerância;…
só vou ouvir os pássaros
e apreciar as orquídeas!
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2 Janeiro, 2008 Escrito por Rita Costa & André L. Soares | poema | , , , , , , , , , , | 9 Comentários

Refúgio

Interior of a Palm House - Karl Blechen

[Interior Of The Palm House - Karl Blechen]

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REFÚGIO
(Rita Costa - R. Janeiro/RJ)
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Ah!…
como é difícil
ficar à margem,
se entre um verso
e outro
dou de encontro
com meus sonhos.
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Ah!…
Ao me encontrar
melhor me entendo
e como é dolorido voltar
se os antigos esconderijos
eram muito mais bonitos.
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Ah!…
Como é difícil,
após ter ido tão fundo,
ver-me aqui encolhida
nesse poema resumido.
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30 Novembro, 2007 Escrito por Rita Costa & André L. Soares | poema | , , , , , | 22 Comentários

Inteira

The Bather of Valpincon, 1808
(’The Bather of Valpincon’ - Jean-Auguste Dominique Ingres) 
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INTEIRA
(André L. Soares – 07.08.05 – V. Velha/ES)
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Perdoa,…
por ser falso
ante toda tua verdade;
quase alheio
à tua doce presença;
por ser o teu exclusivo,
tu que nunca és minha primeira.
Perdoa,…
por sempre voltar aos cacos
a ti…
que somente vens inteira.
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7 Novembro, 2007 Escrito por Rita Costa & André L. Soares | poema | , , , , , | 9 Comentários

O Amor

Adam and Eve - Tamara de Lempicka
(’Adam and Eve’ - Tamara de Lempicka)
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O AMOR
(Rita Costa & André L. Soares)
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O amor é um sacrifício…
o mais doce suplício
meu sonho de martírio
melhor sempre no início.
O amor é mesmo isso…
às vezes, um negócio
íntimo equinócio
do clitóris ao prepúcio.
O amor é imenso vício…
sem hora ou compromisso
desânimos no ócio
nem fácil, nem difícil.
O amor é esquisito…
um gostoso castigo
demônio que é bendito
inflamando o Vesúvio.
O amor é tão bonito…
silêncio e também grito
delícias em dilúvios
calor, dor e abrigo.
O amor é esse bicho…
surgido do impossível
voando em precipício
do inferno ao paraíso.
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O amor não dá em rios…
nem nasce no Estácio
não se prende a espaços
vai esguio em meio-fio.
O amor não é infinito…
requer tantos cuidados
senão, faz mil estragos
aos mais desprevenidos.
O amor dá veredictos…
condena os omissos
convoca os esquecidos
liberta os infelizes.
O amor vive conflitos…
em flagrante delito
de um lado, puro espírito
de outro, sexo explícito.
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9 Outubro, 2007 Escrito por Rita Costa & André L. Soares | poema | , , , , , | 11 Comentários